Por que o HPV é tão temido?
Saúde da Mulher

Por que o HPV é tão temido?

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O HPV é a sigla em inglês para papiloma vírus humano. É muito temido porque é associado às doenças sexualmente transmissíveis e ao desenvolvimento de câncer de colo de útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe.

Além disso, possui incidência relevante. Estima-se que esteja presente em 10% da população mundial feminina. No Brasil, acomete cerca de 54,6% da população, segundo o POP-Brasil (Estudo de Prevalência do Papilomavírus no Brasil), que será lançado em abril de 2018.

Para apresentar um panorama geral sobre o assunto, a ginecologista-obstetra Isabela Correia, especializada em Sexualidade Humana pela USP, traz informações sobre prevenção, características, tratamento e mostra que o HPV é curável, apesar de ser um dos agentes causadores de alguns tipos de câncer.

Como se manifesta? Surge em formato de verruga. Todas são causadas por algum sorotipo de HPV. E, ao contrário do que muita gente imagina, o sorotipo que causa verruga não causa câncer. Assim, a verruga não é uma manifestação inicial do câncer, e sim um sinal de que houve contato com o HPV (e se houve contato com um sorotipo, pode ter havido contato com outros sorotipos também). São mais de 150 sorotipos de HPV. Dividem-se em: os de alto risco de malignidade (HPV 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, e 68) e os de baixo risco (HPV 6, 11, 40, 42, 43, 44, 53, 54, 61, 72, 73, e 81 são os principais).

Como fugir da estatística? A melhor forma de prevenir-se contra o vírus é a utilização de preservativo (a camisinha consegue evitar a transmissão em 70 a 80% dos casos). Em todas as relações sexuais, o vírus é transmitido através do contato de pele e mucosas com a superfície contaminada (não é necessário haver lesão visível para que haja contágio). A relação sexual oral desprotegida está associada a câncer de boca e laringe. Lembrando que, a camisinha masculina recobre somente o pênis, deixando a área perineal é desprotegida.

Vacina – A disponibilizada pelo SUS é a quadrivalente, que protege contra os principais sorotipos causadores de verrugas (HPV 6 e 11) e os principais sorotipos causadores de câncer (HPV 16 e 18). São recomendadas 3 doses (0-2-6 meses), em uma população que ainda não tenha sido exposta ao HPV, ou seja, que não tenha iniciado a vida sexual. Porém, a aplicação no SUS é realizada a partir dos 9 anos e feita como descrito a seguir (devido ao custo alto e a baixa adesão às doses recomendadas).

- Primeira visita: 1ª dose; segunda dose: 6 meses após a primeira

- Meninas: Iniciar o esquema até 14 anos e 5 meses

- Meninos: Iniciar o esquema até 13 anos, 11 meses e 29 dias

- Pessoas portadoras de HIV: Iniciar esquema até 26 anos, 11 meses e 29 dias

Uma vez contraído o vírus, o que fazer? Nada.  A maior parte dos contatos com o HPV não irá acarretar em uma manifestação clínica (nem o aparecimento de verrugas, nem o desenvolvimento de câncer). E o aparecimento de lesões pode ocorrer anos após o contato com vírus, que pode ficar latente e se manifestar em um momento de redução da imunidade do indivíduo.

Como é detectado? Através de exames de biologia molecular, mas sua pesquisa não deve ser realizada sem a presença de lesão subclínica ou clínica. O rastreio para lesões potencialmente malignas, em região genital feminina, é realizado pela coleta da colpocitologia oncótica (o exame de Papanicolau) em mulheres a partir dos 25 anos. As mulheres com menos de 25 anos, apresentam uma evolução clínica diferente e menos agressiva, quando infectadas pelo HPV, sendo desencorajada a coleta antes dessa idade. Caso apareça alguma alteração no preventivo, que indique a necessidade de novos exames, são realizadas a colposcopia e biópsia da lesão.

Tem cura? Sim. E ela é alcançada com a retirada da lesão (verrugas, lesão pré-câncer ou o câncer inicial) e pela resolução espontânea da infecção pelo sistema imune do paciente. A evolução da lesão inicial pré-câncer até o desenvolvimento do câncer, geralmente ocorre ao longo de anos. Por isso, os exames preventivos são tão importantes. É possível detectar e tratar o câncer sem que ele comprometa a fertilidade da mulher.

Como é a relação de HPV e infertilidade? O HPV não causa a infertilidade. Mas, a amputação de parte do colo de útero (para a retirada de lesão) pode aumentar a chance de um parto prematuro. E a retirada do útero doente pode impossibilitar a gravidez.
Para saber mais, consulte seu médico.

Isabela Correia. Ginecologista-obstetra, com Residência pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), pós-graduada em endocrinologia feminina pelo IFF e Especialização em Sexualidade Humana pela USP. CRM: 5292003-7

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