Libido feminina x hormônios
Saúde da Mulher

Libido feminina x hormônios

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A partir de referências indicadas pela Doutora em Ciências da Saúde, pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), Meire Ribeiro, a mulher gostaria de uma rotina sexual mais efetiva e prazerosa do que de fato ela vivencia.

Os hormônios ocupam um papel-chave, quando o assunto é libido. Tanto na idade reprodutiva quando na menopausa, eles merecem atenção para a manutenção do prazer sexual feminino.

A pesquisa Mosaico 2.0* - coordenada, pela psiquiatra Carmita Abdo, do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex*) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostra que há uma diferença de apetite sexual masculino e feminino. Quando foram perguntados sobre o número ideal de relações por semana, a resposta mais escolhida pelas mulheres foi “três vezes” e pelos homens, “oito vezes”. Por outro lado, o sexo foi considerado essencial para ambos os gêneros – 95,3% dos entrevistados afirmaram que sexo é importante ou muito importante para a harmonia de um casal. Desses, 96,2% eram homens e 94,5%, mulheres.

Por que o uso de hormônios, via pílula anticoncepcional, interfere no apetite e na prática sexual da mulher? A pílula anticoncepcional pode diminuir a libido, mas não se trata de uma regra. De acordo com uma resenha de 2013 — publicada no European Journal of Contraception and Reproductive Health Care, da Sociedade Europeia de Contracepção e Reprodução, que examinou 36 estudos, entre 1978 e 2011 —, cerca de 15% das mulheres notaram uma redução no desejo sexual, enquanto tomavam a pílula. Mesmo assim, “não está claro se a culpa era realmente da pílula, já que há uma série de outros fatores que influenciam na libido.

Outro estudo – Uma pesquisa da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, que entrevistou mais de mil mulheres, descobriu que a contracepção oral reduziu drasticamente a libido feminina. O mesmo foi observado com outros métodos hormonais, como implantes. Isso se explica porque a maioria dos anticoncepcionais hormonais impede a ovulação, momento de picos de testosterona, que deixam algumas mulheres mais excitadas. Sem ovular, o aumento de testosterona e, consequentemente, de libido, não vai ocorrer. O levantamento sugere que pelo menos um sexto das mulheres que tomam pílula estão sujeitas a sofrer redução do desejo sexual. Em compensação, aquelas que usam apenas a camisinha, como método contraceptivo, não declararam ter problemas com a libido.

E na menopausa? O que ocorre? Na ausência do estrógeno, a lubrificação da vagina fica prejudicada e a mulher pode, consequentemente, sentir dor na relação sexual. Há outros prejuízos: para os ossos, os músculos, a cognição. A reposição hormonal é medida de saúde precedida de orientação médica, mas não pode ser descartada. Também é preciso estar atenta à depressão, que aumenta sua incidência depois da menopausa. Neste caso, a mulher não se interessa por sexo, como também não quer se cuidar e se isola. Na verdade, é uma falta de interesse geral pela vida! No consultório, é frequente atender pacientes que não querem tomar antidepressivos, alegando que o remédio vai interferir negativamente na libido. Isso realmente pode acontecer, mas apenas durante o tratamento, enquanto que, se a depressão não for tratada, a falta de desejo sexual será mantida como consequência da depressão.

Como driblar as questões hormonais? Importante lembrar que a mulher precisa sempre considerar a importância dos hormônios e buscar informações com o médico sobre o melhor método contraceptivo, com relação à libido. Existem inúmeras opções livres de hormônio, que não interferem no apetite sexual, tampouco atrapalham na atividade sexual, propriamente dita. Entre eles: o DIU de cobre e o preservativo.

Os outros fatores vinculados à libido feminina serão abordados na próxima coluna. Aguarde!

Para saber mais, consulte seu ginecologista. Há também profissionais especialistas na área de sexualidade e o Projeto de Sexualidade de São Paulo (Prosex), um serviço disponível ao público, oferecido pela Faculdade de Medicina na USP.

A psiquiatra Carmita Abdo é Doutora e livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Meire Ribeiro é Doutora em Ciências da Saúde (UNIFESP), Especialista em Práticas Corporais Integrativas, Sexualidade Humana (USP) e Intervenções e Práticas Sistêmicas com Casal e Família (UNIFESP).

*A pesquisa foi realizada com três mil pessoas de sete regiões metropolitanas do país (São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal) e idades de entre 18 e 70 anos.

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