20% DAS BRASILEIRAS SOFREM COM ENXAQUECA. SAIBA POR QUE A PÍLULA É UM RISCO E CONHEÇA OS HÁBITOS QUE SÓ FAZEM BEM.
Palavra do Especialista

20% DAS BRASILEIRAS SOFREM COM ENXAQUECA. SAIBA POR QUE A PÍLULA É UM RISCO E CONHEÇA OS HÁBITOS QUE SÓ FAZEM BEM.

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A enxaqueca é a terceira doença com maior prevalência mundial e a sétima causa específica de incapacidade, segundo o Global Burden of Disease Survey 2010. Mulheres, sedentários, pessoas com baixa renda e com nível educacional mais alto são os grupos mais acometidos, conforme levantamentos globais.

No Brasil, atinge quase 16% da população, sendo 20% de brasileiras. De acordo com dados compilados pela Sociedade Brasileira de Cefaleia, a grande prevalência de enxaqueca em mulheres se deve à genética, flutuação hormonal e estresse.

Para saber mais, a ginecologista Telma Mariotto Zakka, certificada em dor crônica pela Associação Médica Brasileira, apresenta um compilado de dicas para prevenção e tratamento.

Quais são as características da enxaqueca? É uma disfunção cerebral, com componente genético. Manifesta-se com dor do tipo latejante e/ou pulsátil, geralmente de um lado da cabeça (hemicrania) com duração de 4 a 72 horas. Pode determinar náuseas e vômitos e piorar com a luz, odor, ruídos e movimentos.

Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca apresentam aura, ou seja, um “aviso” de que a dor irá começar. Esse sinal consiste em sintomas visuais: pontinhos luminosos, flashes em ziguezague, falha no campo visual, formigamento de um lado do corpo, dificuldade para falar e, raramente, alterações motoras unilaterais.

A crise de enxaqueca, que acontece imediatamente antes ou durante a menstruação, chama-se enxaqueca menstrual e ocorre pela diminuição nas concentrações do estrogênio neste período.

Afinal, por que se contraindica o uso da pílula anticoncepcional para mulheres que têm enxaqueca?  As mulheres que apresentam enxaqueca com aura devem avaliar o custo-benefício do uso da pílula anticoncepcional, devido ao aumento no risco de acidente vascular cerebral (derrame).

Tratamento


Hábitos Indicados


Medicamentos para a prevenção, a longo prazo, e analgésicos para aliviar a crise aguda

  • Melhorar a qualidade do sono

  • Reduzir o estresse

  • Alimentar-se bem*

  • Praticar exercícios físicos regulares**

  • Evitar o cigarro e bebidas alcoólicas


Hábitos de Consumo


Indicados para o Consumo


 Vitaminas do Complexo B (arroz integral, quinoa, gema de ovos, aveia etc), magnésio (gergelim, banana, chia, linhaça, abacate etc),      coenzima Q10 (salmão, sardinha, amendoim, frango, tofu,espinafre, suco de morango e laranja etc), triptofano (amêndoa, castanha de caju, queijos e outras proteínas), vitamina E (sementes de girassol, avelãs, castanhas etc), ácido alfa-lipoico (brócolis, espinafre, ervilha, levedo de cerveja, couve-de-bruxelas, farelo de arroz e carnes), inositol (grãos, nozes, feijão e frutas), ômega-3 (salmão, atum e outros), isoflavonas (alimentos à base de soja), gingerol (gengibre) e a suplementação de 5-HTP (precursor da serotonina).

Contraindicados


Vinho, cerveja ou bebidas destiladas, chocolate, queijos amarelos, frutas cítricas, embutidos, frituras, chá, refrigerantes (à base de cola), cafeína, sorvetes, aspartame e glutamato monossódico. O consumo de carboidratos refinados e intervalos grandes entre as refeições podem desencadear crises de enxaqueca. Alguns estudos demonstraram que a prevalência da enxaqueca é maior entre pessoas desnutridas e obesas.

A prevalência da enxaqueca é maior entre pessoas desnutridas e obesas.

Atividade Física**


O exercício físico é recomendado no tratamento da enxaqueca, entretanto a atividade física exaustiva pode se tornar um gatilho da enxaqueca.

Devido às diferenças individuais, há uma grande variação no efeito da atividade física sobre a dor, durante os ataques de enxaqueca. Para uma minoria de pessoas, a atividade física contribui de forma consistente para a piora da dor.

Para mais informações, consulte seu médico.

Telma Regina Mariotto Zakka é Profa Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, ginecologista com certificação em dor crônica pela Associação Médica Brasileira (AMB). Integra a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED), é responsável pelo Ambulatório de Dor Abdominal, Pélvica e Perineal do Centro Interdisciplinar de Dor (Departamento de Neurologia HC-FMUSP). CRM: 33741

 

Referências

  1. http://www.ihs-headache.org/binary_data/2086_ichd-3-beta-versao-pt-portuguese.pdf

  2. Teixeira R A. Onde a enxaqueca se encontra com o derrame cerebral. ComCiência, Campinas. 2009; 109.

  3. Felipe MR, Campos A, Vechi G, Martins L. Implicações da alimentação e nutrição e do uso de fitoterápicos na profilaxia e tratamento sintomático da enxaqueca – uma revisão. Nutrire: rev Soc Bras Alim Nutr. J. Brazilian Soc. Food Nutr, São Paulo. 2010. 35; (2): 165-179.

  4. Allais G, Chiarle G, Sinigaglia S, Benedetto C. Menstrual migraine: a review of current and developing pharmacotherapies for women. Expert Opin Pharmacother. 2017; 12:1-14.

  5. Varkey E, Grüner SB, Edin F, Ravn-Fischer A, Cider A. Provocation of migraine after maximal exercise: A test-study. Eur Neurol.2017; 78(1-2):22-27.

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