Dor e DIU de Cobre: O que dizem estudos mais recentes?
DIU de cobre

Dor e DIU de Cobre: O que dizem estudos mais recentes?

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Ausência de dor é um dos indicadores da satisfação pessoal e do prazer em viver. É o que destaca a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Por isso, a possibilidade de que, esse incômodo, seja provocado por um tratamento ou hábito põe em xeque muitas escolhas, principalmente para as mulheres. De acordo com uma recente pesquisa nacional*, realizada com mil pessoas de todas as regiões brasileiras, as mulheres relatam mais dor crônica do que os homens, exceto na região nordeste, onde a prevalência é ligeiramente maior no público masculino (52%).

Mas, e quando as questões envolvem a dor pélvica, as cólicas menstruais e o DIU de Cobre? A boa notícia é que o levantamento (discutido acima) aponta que a dor pélvica não está entre as mais frequentes, dentro do mapa da dor crônica, no Brasil. Para trazer mais esclarecimentos sobre o assunto, a ginecologista Telma Mariotto Zakka (com certificação em dor crônica pela Associação Médica Brasileira) mostra o que dizem os dados científicos mais atualizados.

Há alguma recomendação específica médica para mulheres que apresentam mais sensibilidade à dor e optam pelo método contraceptivo do DIU de Cobre?

Não existem estudos específicos sobre a contraindicação do DIU de cobre em mulheres com maior sensibilidade dolorosa. O médico deve considerar a individualidade de cada pessoa que procura por um método anticoncepcional. É importante valorizar as dúvidas, incertezas e buscar apoiar as decisões de cada mulher. Caso apresente histórico de quadro doloroso crônico, como fibromialgia, enxaquecas, síndrome do intestino irritável, entre outros, o que indica maior sensibilidade à dor, cabe ao médico orientá-la sobre o uso do DIU de cobre. É fundamental abordar seus benefícios e eventuais efeitos colaterais dolorosos.

Portanto, a recomendação baseia-se nos esclarecimentos sobre este método anticoncepcional e condutas analgésicas, caso necessário.  Mulheres com este perfil, podem, por exemplo, apresentar mais desconforto no procedimento de introdução do DIU. Este inconveniente pode ser resolvido com sua inserção, sob efeito anestésico local, regional (raquianestesia) ou geral1.

E na hora da relação sexual, alguma correlação entre DIU e dor? Mito? Verdade? Como lidar?

O DIU de cobre não interfere no relacionamento sexual, ou seja, não determina dor durante ou após a relação sexual. A presença de dor, durante o ato sexual, pode implicar na presença de infecções genitais como as vulvovaginites, as doenças inflamatórias pélvicas ou deslocamento inferior do DIU (se ele estiver mal posicionado)2.  Na presença de dor, durante ou após a atividade sexual, a mulher deve procurar o ginecologista para uma avaliação clínica.

Para saber mais, consulte seu ginecologista.

Telma Regina Mariotto Zakka é Profa Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, ginecologista com certificação em dor crônica pela Associação Médica Brasileira (AMB). Integra a Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED), é responsável pelo Ambulatório de Dor Abdominal, Pélvica e Perineal do Centro Interdisciplinar de Dor (Departamento de Neurologia HC-FMUSP). CRM: 33741
Referências: * O levantamento foi  coordenado por pesquisadores ligados à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), à Faculdade de Medicina do ABC e à Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).


  1. Thonneau P, Goulard H, Goyaux N. Risk factors for intrauterine device failure: a review. Contraception 2001; 64: 33-7.

  2. Cox M, Blacksell SE. Clinical performance of the Nova-T380 IUD in routine use by the UK Family Plan- ning and Reproductive Health Research Network: 12- month report. Br J Fam Plann 2000; 26:148-51.


 

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